“Oh oh oh eu gosto é de mulher…”
A grande pergunta sempre sobre a minha sexualidade é porque será que aconteceu isso com ela.
As expeculações no auge dos meus 17 anos eram grande para saber se eu era ou não era?
Era ou não era o que?
Eis o problema ninguém se atrevia falar a palavra SAPATÃO, afinal de contas eu fui criada em um lar evangélico, era líder da igreja mais badalada da cidade, participei de grupos de dança de inúmeros retiros e até campanhas de king’s kids nas férias.
O erro foi certamente da minha mãe que sempre me deu muita liberdade, que nunca botou freio em mim, por ter me colocado na tal escola LATINO AMERICANO que foi a perdição…Pode ter sido também o meu pai , que nunca deu atenção necessária cumprindo o seu verdadeiro papel de pai, o erro também foi uma criança fora do casamento, que não teve uma presença masculina em casa…E por aí se estende os comentários dos vizinhos, família, igreja, escola…
Peraí e o meu avó? Ele era muito homem sim senhor,não posso esquecer do meu tio Nelson que me criou que também era muito homem, mas na hora de justificar o injustificável muitas coisas são esquecidas.
Até hoje ninguém da minha igreja ousou perguntar se eu era sapatão ou não…Ficavam sempre me olhando de lado tentando não acreditar em tal “perdição” meu Orkut mais de 30 visitas diárias.
Até o belo dia em que eu assumi, pronto sociedade HOMOFOBICA sou Lésbica,sapatão tenho uma namorada e nada poderá me deter…
Foi o passo mais ousado até então nos meu apenas 17 anos de vida.
Vi muita gente que jurou amor por mim de amigos mesmo irem embora, não morri não, cresci com tudo isso.
Da igreja não restaram mais do que 5 pessoas e que grande pessoas são essas!
A melhor amiga a tal da Gretha, sabe Deus onde esta, deve estar preocupada com a marca da roupa que vai sair, com o que a família dela vai pensar se andar com ciclano o fulano.
Enfim é tanta coisa que me passa na cabeça agora,foi uma época bem bacana de descobertas.
O engraçado é que ninguém pergunta pra mim. Oras bolas o que tem de tão diferente gostar de uma mulher, é tão mais saudável, menos prejudicial a saúde.
Se eu vou para inferno? Pode até ser, não sei, não acredito em um DEUS tão maléfico que ira pegar seu cajado bater na minha cabeça e me chutar do paraíso…
Sou feliz e isso não tem que incomodar vocês heteros que são tão seguros de sua própria sexualidade, me deixem viver expressar a minha sapatonisse, alias eu adoro que me chamem de Sapatão…Por que eu não me envergonho não, e luto para o empoderamento de todas as lesbicas do mundo .
Minha vida passou a ter outro sentido quando eu sai daquela visão quadrada que eu tinha e fui me preocupar com as minha responsabilidades sociais, como o o que eu poderia fazer para mudar o mundo.
E para os que acham que eu estou derrotada, saiba que os dados ainda estão rolando como dizia o grande Cazuza!
E eu vou fazer historia vocês vão lembrar de mim Huaaaaaaaaaaaaaaaaaaa(risada maléfica)
E enquanto a musica que eu escutei hoje “Como vai você?”
Eu vou Bem Roberto Carlos, estou trabalhando pelo Procon aqui na faculdade Estacio, pertinho da Funsat, meu namoro esta muito bem obrigada, minha vó anda teimosa querendo casar,tenho reunião do fongaids hoje pela tarde e ainda continuo enojada do camarada lá do meu partido um Tal de candal…
E vc? Fiquei sabendo que esta para fazer um show em NY e que tem uma promoção de não sei qual produto que vai levar alguém de graça até lá…
Sucesso na caminhada
Ah embaixo fica um texto maravilhoso, motivo que me inspirou a escrever o post de hoje

Jamille Weiss
Jamille Weiss
Ninguém vai me ofender [por Vange Leonel ]
Sim, sou tríbade, sáfica, lésbia, lesbiana, entendida, invertida, transviada, sapatão, sapa, sapata, francha, bolacha, fanchona, paraíba masculina, mulher-macho, gay, sim senhor, machuda, macha, “dyke”, como dizem as americanas, ou como as mexicanas, tortillera, do tupinambá çacoãimbeguira, do latim virago e, brasileiramente falando, roçadeira, saboeira, moquetona, madrinha, pacona, do aló, do babado ou, se preferirem algo mais erudito, ginófila, andrógina, homófila, fricatrix e homossexual.
Podem me chamar de tudo isso, eu não me importo. Se me chamam de lésbica ou safista, sinto orgulho e me envaideço: a origem dos termos é nobre. Safo, a grega, foi a maior poeta lírica da Antigüidade, cultuada por Platão e Ovídio e sucesso no Mediterrâneo cinco séculos antes de Cristo. Por acaso, fazia sexo com mulheres, vivia na ilha de Lesbos e, para tocar sua lira e manter as unhas curtas, inventou a palheta, a mesma que roqueiros usam para fazer gemer suas guitarras. Bons dedos e boa lábia. Por que me ofender se me chamam lésbica?
Sou entendida sim, mais em certos assuntos que em outros, por isso talvez ginófila seja apropriado, afinal, amo e admiro mulheres em geral, mesmo sendo apaixonada por apenas uma, em particular. Sapatona, adoro usar coturnos, botas e toda sorte de calçados rudes para sair às ruas, domínio tradicional do macho, terreno muito acidentado para saltos altos.
Masculina, sim, também, às vezes, quase sempre e sempre que quero. Freud falou, Jung disse, o ministro da Cultura cantou e lendas e folclores antigos apontam para a origem andrógina do ser humano. Além disso, até a nona semana de gestação, fetos de ambos os sexos parecem idênticos. Se biologicamente herdamos um potencial andrógino, o casamento alquímico entre homem e mulher dentro de nós é meta para a saúde psicológica. Assim, ser chamada de machona é elogio para quem trafega livremente entre os gêneros masculino e feminino, social e historicamente cindidos.
Resumindo: ninguém conseguirá me ofender me chamando por nomes que significam apenas o meu amor por outra mulher.
Ninguém vai me ofender [por Vange Leonel ]